"It would be wonderful to say you regretted it. It would be easy. But what does it mean? What does it mean to regret when you have no choice? It's what you can bear. There it is. No one's going to forgive me. It was death. I chose life."
segunda-feira, 28 de março de 2011
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
"É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer."
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer."
domingo, 5 de dezembro de 2010
"Dear book, this is another day in my life. A life is like a book. A book is like a box. A box has six sides. Inside and outside, so, how do you get to what's inside? How do you get what's inside, out? Once upon a time, there lived a very pretty girl, who lived in a beautiful box, and everybody loved her. "
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
To Helena
"Acabo de inventar um novo advérbio: helenamente
A maneira mais triste de se estar contente
a de estar mais sozinho em meio de mais gente
de mais tarde saber alguma coisa antecipadamente
Emotiva atitude de quem age friamente
inalterável forma de se ser sempre diferente
maneira mais complexa de viver mais simplesmente
de ser-se o mesmo sempre e ser surpreendente
de estar num sítio tanto mais se mais ausente
e mais ausente estar se mais presente
de mais perto se estar se mais distante
de sentir mais o frio em tempo quente
O modo mais saudável de se estar doente
de se ser verdadeiro e revelar-se que se mente
de mentir muito verdadeiramente
de dizer a verdade falsamente
de se mostrar profundo superficialmente
de ser-se o mais real sendo aparente
de menos agredir mais agressivamente
de ser-se singular se mais corrente
e mais contraditório quanto mais coerente
A via enviesada para ir-se em frente
a treda actuação de quem actua lealmente
e é tão impassível como comovente
O modo mais precário de ser mais permanente
de tentar tanto mais quanto menos se tente
de ser pacífico e ao mesmo tempo combatente
de estar mais no passado se mais no presente
de não se ter ninguém e ter em cada homem um parente
de ser tão insensível como quem mais sente
de melhor se curvar se altivamente
de perder a cabeça mas serenamente
de tudo perdoar e todos justiçar dente por dente
de tanto desistir e de ser tão constante
de articular melhor sendo menos fluente
e fazer maior mal quando se está mais inocente
É sob aspecto frágil revelar-se resistente
é para interessar-se ser indiferente
Quando helena recusa é que consente
se tão pouco perdoa é por ser indulgente
baixa os olhos se quer ser insolente
Ninguém é tão inconscientemente consciente
tão inconsequentemente consequente
Se em tantos dons abunda é por ser indigente
e só convence assim por não ser muito convincente
e melhor fundamenta o mais insubsistente
Acabo de inventar um novo advérbio: helenamente
O mar a terra o fumo a pedra simultaneamente"
A maneira mais triste de se estar contente
a de estar mais sozinho em meio de mais gente
de mais tarde saber alguma coisa antecipadamente
Emotiva atitude de quem age friamente
inalterável forma de se ser sempre diferente
maneira mais complexa de viver mais simplesmente
de ser-se o mesmo sempre e ser surpreendente
de estar num sítio tanto mais se mais ausente
e mais ausente estar se mais presente
de mais perto se estar se mais distante
de sentir mais o frio em tempo quente
O modo mais saudável de se estar doente
de se ser verdadeiro e revelar-se que se mente
de mentir muito verdadeiramente
de dizer a verdade falsamente
de se mostrar profundo superficialmente
de ser-se o mais real sendo aparente
de menos agredir mais agressivamente
de ser-se singular se mais corrente
e mais contraditório quanto mais coerente
A via enviesada para ir-se em frente
a treda actuação de quem actua lealmente
e é tão impassível como comovente
O modo mais precário de ser mais permanente
de tentar tanto mais quanto menos se tente
de ser pacífico e ao mesmo tempo combatente
de estar mais no passado se mais no presente
de não se ter ninguém e ter em cada homem um parente
de ser tão insensível como quem mais sente
de melhor se curvar se altivamente
de perder a cabeça mas serenamente
de tudo perdoar e todos justiçar dente por dente
de tanto desistir e de ser tão constante
de articular melhor sendo menos fluente
e fazer maior mal quando se está mais inocente
É sob aspecto frágil revelar-se resistente
é para interessar-se ser indiferente
Quando helena recusa é que consente
se tão pouco perdoa é por ser indulgente
baixa os olhos se quer ser insolente
Ninguém é tão inconscientemente consciente
tão inconsequentemente consequente
Se em tantos dons abunda é por ser indigente
e só convence assim por não ser muito convincente
e melhor fundamenta o mais insubsistente
Acabo de inventar um novo advérbio: helenamente
O mar a terra o fumo a pedra simultaneamente"
sábado, 6 de novembro de 2010
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Elevador
" Eu vou queimar tudo o resto,
fingir que presto para te levar
se eu não ficar foi o tempo
que não nos disse quando parar"
fingir que presto para te levar
se eu não ficar foi o tempo
que não nos disse quando parar"
domingo, 3 de outubro de 2010
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
"Intervalo Doloroso"
"Tudo me cansa, mesmo o que me não cansa. A minha alegria é tão dolorosa como a minha dor. Quem me dera ser uma criança pondo barcos de papel num tanque de quinta, com um dossel rústico de entrelaçamentos de parreira pondo xadrezes de luz e sombra verde nos reflexos sombrios da pouca água.
.Entre mim e a vida há um vidro ténue. Por mais nitidamente que eu veja e compreenda a vida, eu não lhe posso tocar. Raciocinar a minha tristeza? Para quê, se o raciocínio é um esforço? E quem é triste não pode esforçar-se. Nem mesmo abdico daqueles gestos banais da vida de que eu tanto queria abdicar. Abdicar é um esforço, e eu não possuo o de alma com que esforçar-me.
.Eu não teria o horror à vida como a uma coisa. A noção da vida como um todo não me esmagaria os ombros do pensamento. Os meus sonhos são um refúgio estúpido, como um guarda-chuva contra um raio. Sou tão inerte, tão pobrezinho, tão falho de gestos e de actos. Por mais que por mim me embrenhe, todos os atalhos do meu sonho vão dar a clareiras de angústia. Mesmo eu, o que sonha tanto, tenho intervalos em que o sonho me foge, então as coisas aparecem-me nítidas. Esvai-se a névoa de que me cerco. E todas as arestas visíveis ferem a carne da minha alma. Todas as durezas olhadas me magoam o conhecê-las durezas. Todos os pesos visíveis de objectos me pesam por a alma dentro.
.
A minha vida é como se me batessem com ela."
A minha vida é como se me batessem com ela."
sábado, 18 de setembro de 2010
Talvez daqui a uns tempos - muito tempo, pouco tempo, nenhum tempo, amanhã - levanto-me e acordo da minha estupidez. Vou amaldiçoar-me por este estado de espírito, este estado de alma, este sofrer sem dor. A tua memória não me pode doer, porque apenas enlaçamos as mãos. Não posso sentir falta de algo que nunca existiu.
Nada disto vale a pena.
E ainda assim eu sinto-o. Não sai de mim com a água do banho, o sabão que me lava não cobre o cheiro da solidão.
Tudo o que tenho de ti tu não me deste e eu não o posso devolver. Está comigo. Tenho de aprender a tê-lo e a saber o que fazer com isso.
Nada disto vale a pena.
E ainda assim eu sinto-o. Não sai de mim com a água do banho, o sabão que me lava não cobre o cheiro da solidão.
Tudo o que tenho de ti tu não me deste e eu não o posso devolver. Está comigo. Tenho de aprender a tê-lo e a saber o que fazer com isso.
sábado, 11 de setembro de 2010
Quero-te de novo. Quero estar contigo.Quero que voltes a convidar-me para ir passear, para ir seja onde for, desde que estejamos juntos. Quero que digas outra vez o "bom dia", que digas de novo coisas inesperadas.
Quero estar junto a ti.
Quero o teu beijo na bochecha. Quero que me agarres nos teu braços e que brinques com o meu cabelo.
Olha os meus olhos. Quero olhar os teus olhos.
Quero tocar o teu cabelo, a tua face, as tuas mãos. Quero ouvir tua voz. Quero de novo o teu perfume, esse perfume que junto à porta, o vento arrastou até mim.
Quero que tudo à nossa volta pare, que a Terra não rode, que o Universo seja apenas tu e eu. Quero as minhas mãos nas tuas. Quero as palavras certas. Quero os teus olhos, os teus lábios, a tua pele, o teu corpo. Quero-te todo. Quero-te a ti.
Quero estar junto a ti.
Quero o teu beijo na bochecha. Quero que me agarres nos teu braços e que brinques com o meu cabelo.
Olha os meus olhos. Quero olhar os teus olhos.
Quero tocar o teu cabelo, a tua face, as tuas mãos. Quero ouvir tua voz. Quero de novo o teu perfume, esse perfume que junto à porta, o vento arrastou até mim.
Quero que tudo à nossa volta pare, que a Terra não rode, que o Universo seja apenas tu e eu. Quero as minhas mãos nas tuas. Quero as palavras certas. Quero os teus olhos, os teus lábios, a tua pele, o teu corpo. Quero-te todo. Quero-te a ti.
domingo, 15 de agosto de 2010
sábado, 24 de julho de 2010
domingo, 18 de julho de 2010
Gosto de fechar os olhos e lembrar a tua cara, gosto de no silêncio desta casa ouvir a tua voz, de na brancura deste papel, escrever-te. Gosto da tua imagem enigmática, gosto da memória da primeira vez que te vi. Gosto da tua estranheza. Gosto da primeira conversa que tivemos. Lembro cada conversa que tivemos e gosto.
Gosto que digas coisas inesperadas, gosto das coisas inesperadas que dizes. Gosto dos gestos inesperados, das reacções, da minha surpresa às tuas reacções. Gosto da tua personalidade, que muitas vezes pouco tem de agradável. Não te consigo prever, mas gosto disso.
Gosto daquilo que és agora, aquilo em que te tornaste, e naquilo em que te estás a tornar. (apesar de saber que o lamentarei mais tarde...)
Gosto dos teus mil-e-um eus, dos 'porque sim' dos 'não sei' e de toda a aleatoriedade. Gosto do que dizes e do que não dizes, quando o silêncio significa algo. Gosto do teu silêncio quando apenas estás, quando apenas és, quando apenas estamos e somos.
Gosto daquilo que já fomos, pelo menos nos meus sonhos, e gosto mais ainda de sonhar o que poderemos ser. Gosto de imaginar-nos.Gosto de ler-te nos protagonistas dos romances e de ver-me a teu lado.
Gosto de sonhar contigo.
Gosto que digas coisas inesperadas, gosto das coisas inesperadas que dizes. Gosto dos gestos inesperados, das reacções, da minha surpresa às tuas reacções. Gosto da tua personalidade, que muitas vezes pouco tem de agradável. Não te consigo prever, mas gosto disso.
Gosto daquilo que és agora, aquilo em que te tornaste, e naquilo em que te estás a tornar. (apesar de saber que o lamentarei mais tarde...)
Gosto dos teus mil-e-um eus, dos 'porque sim' dos 'não sei' e de toda a aleatoriedade. Gosto do que dizes e do que não dizes, quando o silêncio significa algo. Gosto do teu silêncio quando apenas estás, quando apenas és, quando apenas estamos e somos.
Gosto daquilo que já fomos, pelo menos nos meus sonhos, e gosto mais ainda de sonhar o que poderemos ser. Gosto de imaginar-nos.Gosto de ler-te nos protagonistas dos romances e de ver-me a teu lado.
Gosto de sonhar contigo.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
domingo, 13 de junho de 2010
"Não sei que mistério há na alma das mulheres que as faz apegarem-se ao que mais as magoa. Falo de mágoa, que é um sentimento feminino, complexo e transparente como uma renda e como ela elaborado e leve.
É no claro escuro dos sentidos que ganha terreno esse musgo macio, poético das recordações infelizes. O que nos alegra passa, o que nos magoa fica."
É no claro escuro dos sentidos que ganha terreno esse musgo macio, poético das recordações infelizes. O que nos alegra passa, o que nos magoa fica."
sábado, 5 de junho de 2010
Eu só queria um bocadinho de ti
Eu não tinha nada, e tu apareceste. Mas nessa altura eras pouco, e eu nunca poderia pedir ou imaginar que fosses mais. Tu estavas lá e eu via-te. E era o suficiente, porque nunca pedi mais.
Mas depois entraste na minha vida. E meia hora chegou para mudar tudo. Foi o bocadinho de ti que deste sem saber, que eu queria sem pedir, que mudou tudo. Depois já não havia volta a dar: queria mais de ti, queria mais. E tu deste mais. Mais uma vez deste muito mais do que imaginei, sem sequer saberes que eu o queria.
Agora não te consigo deixar. Não sais da minha cabeça e eu não te posso deixar ir.
Mas depois entraste na minha vida. E meia hora chegou para mudar tudo. Foi o bocadinho de ti que deste sem saber, que eu queria sem pedir, que mudou tudo. Depois já não havia volta a dar: queria mais de ti, queria mais. E tu deste mais. Mais uma vez deste muito mais do que imaginei, sem sequer saberes que eu o queria.
Agora não te consigo deixar. Não sais da minha cabeça e eu não te posso deixar ir.
sábado, 29 de maio de 2010
Não há motivo para te importunar a meio da noite,
como não há leite no frigorífico, nem um limite
traçado para a solidão doméstica.
Tudo desaparece. Nada desaparece. Tudo desaparece
antes de ser dito e tu queres dormir descansada. Tens
direito a um subsídio de paz.
Se eu escrever um poema, esse não é motivo para te
importunar. Eu escrevo muitos poemas e tu trabalhas
de manhã cedo.
Toda a gente sabe que a noite é longa. Não tenho o
o direito de telefonar para te dizer isso, apesar dessa
evidência me matar agora.
E morro, mas não morro. Se morresse, perguntavas:
porque não me telefonaste? Se telefonasse, perguntavas:
sabes que horas são?
Ou não atendias. E eu ficava aqui. Com a noite ainda
mais comprida, com a insónia, com as palavras
a despegarem-se dos pesadelos.
como não há leite no frigorífico, nem um limite
traçado para a solidão doméstica.
Tudo desaparece. Nada desaparece. Tudo desaparece
antes de ser dito e tu queres dormir descansada. Tens
direito a um subsídio de paz.
Se eu escrever um poema, esse não é motivo para te
importunar. Eu escrevo muitos poemas e tu trabalhas
de manhã cedo.
Toda a gente sabe que a noite é longa. Não tenho o
o direito de telefonar para te dizer isso, apesar dessa
evidência me matar agora.
E morro, mas não morro. Se morresse, perguntavas:
porque não me telefonaste? Se telefonasse, perguntavas:
sabes que horas são?
Ou não atendias. E eu ficava aqui. Com a noite ainda
mais comprida, com a insónia, com as palavras
a despegarem-se dos pesadelos.
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Estou parada e estou morta. Ando como que parada, são apenas os meus pés que mexem e eu não vejo, e eu não sei. Não sinto fome, não sinto o frio ou o calor, porque sinto apenas o não estares. Estou sozinha, e desejo a solidão. Sem ninguém eu estou só contigo, tu estás na minha cabeça e és tudo o que sinto. Tu não estás sozinho, estás comigo e és tudo o que penso na minha mente vazia.
(Quem me dera ter uma fotografia tua...!)
Os olhos na minha mente recordam. Os teus olhos nos meus.O teu cabelo, as minhas mãos no teu cabelo, o meu cabelo no teu cabelo, as tuas mãos no meu cabelo. Sozinha, a minha pele pensa, recorda. As tuas mãos nas minhas, a minha cabeça colada à tua. As minhas mãos nas tuas. Os nossos olhos, os meus olhos nos teus. O nosso olhar a cruzar-se. A tua boca e a minha boca. Os teus lábios, que mesmo tão perto, nunca tocaram os meus. O meu coração, as nossas mãos. Tu nas minhas costas, tu. Tu no meu pescoço.Respiras. Respiro. A minha pele lembra-se. Nós, o tempo, os teus olhos, nós.
A minha pele está nua e não sinto nada. Tu. A minha pele está sozinha.
Dói, mas é porque quero. Dói, mas é a única forma de te ter, de te ver. Penso em ti, e dói. Mas vejo-te, e mesmo doendo, és tu, e somos nós.
(Quem me dera ter uma fotografia tua...!)
Os olhos na minha mente recordam. Os teus olhos nos meus.O teu cabelo, as minhas mãos no teu cabelo, o meu cabelo no teu cabelo, as tuas mãos no meu cabelo. Sozinha, a minha pele pensa, recorda. As tuas mãos nas minhas, a minha cabeça colada à tua. As minhas mãos nas tuas. Os nossos olhos, os meus olhos nos teus. O nosso olhar a cruzar-se. A tua boca e a minha boca. Os teus lábios, que mesmo tão perto, nunca tocaram os meus. O meu coração, as nossas mãos. Tu nas minhas costas, tu. Tu no meu pescoço.Respiras. Respiro. A minha pele lembra-se. Nós, o tempo, os teus olhos, nós.
A minha pele está nua e não sinto nada. Tu. A minha pele está sozinha.
Dói, mas é porque quero. Dói, mas é a única forma de te ter, de te ver. Penso em ti, e dói. Mas vejo-te, e mesmo doendo, és tu, e somos nós.
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