Quero adormecer para te sonhar outra vez.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
domingo, 13 de junho de 2010
"Não sei que mistério há na alma das mulheres que as faz apegarem-se ao que mais as magoa. Falo de mágoa, que é um sentimento feminino, complexo e transparente como uma renda e como ela elaborado e leve.
É no claro escuro dos sentidos que ganha terreno esse musgo macio, poético das recordações infelizes. O que nos alegra passa, o que nos magoa fica."
É no claro escuro dos sentidos que ganha terreno esse musgo macio, poético das recordações infelizes. O que nos alegra passa, o que nos magoa fica."
sábado, 5 de junho de 2010
Eu só queria um bocadinho de ti
Eu não tinha nada, e tu apareceste. Mas nessa altura eras pouco, e eu nunca poderia pedir ou imaginar que fosses mais. Tu estavas lá e eu via-te. E era o suficiente, porque nunca pedi mais.
Mas depois entraste na minha vida. E meia hora chegou para mudar tudo. Foi o bocadinho de ti que deste sem saber, que eu queria sem pedir, que mudou tudo. Depois já não havia volta a dar: queria mais de ti, queria mais. E tu deste mais. Mais uma vez deste muito mais do que imaginei, sem sequer saberes que eu o queria.
Agora não te consigo deixar. Não sais da minha cabeça e eu não te posso deixar ir.
Mas depois entraste na minha vida. E meia hora chegou para mudar tudo. Foi o bocadinho de ti que deste sem saber, que eu queria sem pedir, que mudou tudo. Depois já não havia volta a dar: queria mais de ti, queria mais. E tu deste mais. Mais uma vez deste muito mais do que imaginei, sem sequer saberes que eu o queria.
Agora não te consigo deixar. Não sais da minha cabeça e eu não te posso deixar ir.
sábado, 29 de maio de 2010
Não há motivo para te importunar a meio da noite,
como não há leite no frigorífico, nem um limite
traçado para a solidão doméstica.
Tudo desaparece. Nada desaparece. Tudo desaparece
antes de ser dito e tu queres dormir descansada. Tens
direito a um subsídio de paz.
Se eu escrever um poema, esse não é motivo para te
importunar. Eu escrevo muitos poemas e tu trabalhas
de manhã cedo.
Toda a gente sabe que a noite é longa. Não tenho o
o direito de telefonar para te dizer isso, apesar dessa
evidência me matar agora.
E morro, mas não morro. Se morresse, perguntavas:
porque não me telefonaste? Se telefonasse, perguntavas:
sabes que horas são?
Ou não atendias. E eu ficava aqui. Com a noite ainda
mais comprida, com a insónia, com as palavras
a despegarem-se dos pesadelos.
como não há leite no frigorífico, nem um limite
traçado para a solidão doméstica.
Tudo desaparece. Nada desaparece. Tudo desaparece
antes de ser dito e tu queres dormir descansada. Tens
direito a um subsídio de paz.
Se eu escrever um poema, esse não é motivo para te
importunar. Eu escrevo muitos poemas e tu trabalhas
de manhã cedo.
Toda a gente sabe que a noite é longa. Não tenho o
o direito de telefonar para te dizer isso, apesar dessa
evidência me matar agora.
E morro, mas não morro. Se morresse, perguntavas:
porque não me telefonaste? Se telefonasse, perguntavas:
sabes que horas são?
Ou não atendias. E eu ficava aqui. Com a noite ainda
mais comprida, com a insónia, com as palavras
a despegarem-se dos pesadelos.
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Estou parada e estou morta. Ando como que parada, são apenas os meus pés que mexem e eu não vejo, e eu não sei. Não sinto fome, não sinto o frio ou o calor, porque sinto apenas o não estares. Estou sozinha, e desejo a solidão. Sem ninguém eu estou só contigo, tu estás na minha cabeça e és tudo o que sinto. Tu não estás sozinho, estás comigo e és tudo o que penso na minha mente vazia.
(Quem me dera ter uma fotografia tua...!)
Os olhos na minha mente recordam. Os teus olhos nos meus.O teu cabelo, as minhas mãos no teu cabelo, o meu cabelo no teu cabelo, as tuas mãos no meu cabelo. Sozinha, a minha pele pensa, recorda. As tuas mãos nas minhas, a minha cabeça colada à tua. As minhas mãos nas tuas. Os nossos olhos, os meus olhos nos teus. O nosso olhar a cruzar-se. A tua boca e a minha boca. Os teus lábios, que mesmo tão perto, nunca tocaram os meus. O meu coração, as nossas mãos. Tu nas minhas costas, tu. Tu no meu pescoço.Respiras. Respiro. A minha pele lembra-se. Nós, o tempo, os teus olhos, nós.
A minha pele está nua e não sinto nada. Tu. A minha pele está sozinha.
Dói, mas é porque quero. Dói, mas é a única forma de te ter, de te ver. Penso em ti, e dói. Mas vejo-te, e mesmo doendo, és tu, e somos nós.
(Quem me dera ter uma fotografia tua...!)
Os olhos na minha mente recordam. Os teus olhos nos meus.O teu cabelo, as minhas mãos no teu cabelo, o meu cabelo no teu cabelo, as tuas mãos no meu cabelo. Sozinha, a minha pele pensa, recorda. As tuas mãos nas minhas, a minha cabeça colada à tua. As minhas mãos nas tuas. Os nossos olhos, os meus olhos nos teus. O nosso olhar a cruzar-se. A tua boca e a minha boca. Os teus lábios, que mesmo tão perto, nunca tocaram os meus. O meu coração, as nossas mãos. Tu nas minhas costas, tu. Tu no meu pescoço.Respiras. Respiro. A minha pele lembra-se. Nós, o tempo, os teus olhos, nós.
A minha pele está nua e não sinto nada. Tu. A minha pele está sozinha.
Dói, mas é porque quero. Dói, mas é a única forma de te ter, de te ver. Penso em ti, e dói. Mas vejo-te, e mesmo doendo, és tu, e somos nós.
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